segunda-feira, 6 de junho de 2011

Habemus merdam


Já temos um novo entertainer e a malta adora palhaços e acrobatas pois vive hipnotizada pela vacuidade da televisão que é o palco desta geração de políticos neo-liberais, pós-modernos, geralmente incultos e desprovidos de memória mas bem embrulhados e com gravatas a condizer ... o resto, é pane et circus! Eu até acho o homem de Massamá, muito charmoso e simpático mas, francamente, tão novo e já tão anacrónico, como se percebe pelas companhias que arranjou.
Nestes trinta e tal anos de alternância do poder, existe um elo comum que se traduz em nacionalização de prejuízos, privatização de lucros, favorecimento de amigalhaços, controlo da comunicação, subversão do poder judicial, excesso de regulação para uns e uma total impunidade para outros, culminando com o homem dos robalos, saltitando de administração em administração, o maioral do bpn à solta e o outro a construir resorts em Cabo Verde.
Enfim, tão diferentes que eles são ... espera-nos um "novo movimento" de desenvolvimento exactamente igual ao anterior, gasto, falido, penalizador para quem trabalha e onde se rouba descaradamente em nome de acordos e legislação.
Das duas uma, ou mudamos de paradigma ou então vamos conhecer no século XXI, o significado do que foi uma certa Idade Média.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Divagações de um coleccionador


Já me chamaram coleccionador de afectos mas é completamente falso ... sou mas é um sentimental! O sexo até pode não ser o objectivo imediato, mas deprime-me a falta de paixão porque entendo o amor como evasão e poesia.
Sorvo e entrego-me como um manjar gourmet, servido em baixela de prata, onde exponho o meu corpo como um jardim de delícias à la carte e o meu sexo como uma estufa tropical.
Sou indiferente a convenções ou tabus e deixo-me ir (e vir, também), levado pela brisa das emoções furtivas. Adoro o imprevisto, as aventuras e as experiências que ensaio no meu laboratório rudimentar onde cada cobaia se sente uma princesa ... às vezes selvagem, é certo, mas facilmente domesticada pelos métodos mais ancestrais e artesanais.
Mas não pensem que sou um amante descartável e sem história, daqueles que não deixam marcas profundas na pele e na memória de quem o ama ...
Embora seja um homem profundamente espiritual e confesso devoto de Osho, sou também muito carnal e encaro o sexo como a primeira maravilha do Universo.
Estou à vontade no meu papel de diabinho com asas de anjo.
Às vezes, sinto-me atormentado por um frenesim erótico que me leva a excessos incontrolados ... sou voraz sem ser guloso e tenho uma dificuldade enorme em adaptar-me à rotina, pois a dança de parceiras não me acalma a líbido, apenas potencia a minha bulimia sexual.
Acredito que há em mim, o poder redentor do sexo que me faz sentir uma corrente de pulsões tempestivas e torrenciais.
Chamem-me libertino, mas julgo estar a meio caminho, entre a depravação e o vício, por isso, não tolero relações complexadas e com regras ... sou um homem sem rosto mas com uma longa história de libertação, onde não há lugar para lágrimas ou dramas.

domingo, 29 de maio de 2011

Usar máscara ou não ... eis a questão!



Actualmente, a palavra prostituição tem um sentido tão lato e subjectivo que, qualquer adjectivo que se utilize para qualificar o conceito, levar-nos-ia a debates inconsequentes.
Toda a gente se prostitui, no sentido mais pejorativo que essa palavra pode suscitar, em qualquer tipo de relação ... afectiva, social, familiar, profissional e política, onde a transacção da mentira, manipula tudo e todos de forma descarada.
O sexo, é quanto a mim, a mais transparente das prostituições ... transacciona-se o corpo, e em troca, é-se remunerado. Muito mais chocante será alguém despertar emoções e afectos noutras pessoas pelo simples divertimento ou para enriquecimento curricular. A mulher ou o homem, ao prostituir-se, poderá, simultaneamente, desempenhar vários papéis: fotógrafos de ilusões, mágicos de emoções pré fabricadas, ventríloquos de frases feitas, vendedores de sonhos ... mas o jogo é bem definido pelos intervenientes, ninguém engana ninguém!

Há uns tempos atrás, assisti a um debate onde alguém disse que a angústia que sentiria em relação à filha, seria a mesma, fosse ela prostituta ou alpinista.
Vem isto a propósito da Joana fazer a apresentação do seu livro, usando uma máscara veneziana, não porque a sua vida seja um misto de Natal e Carnaval mas porque a nossa sociedade se mantém vinculada a estereótipos que mais não são do que “clichés” que se diluem entre o “dizer” e o “fazer”.
Não consigo estabelecer comparações entre filhas alpinistas ou prostitutas mas uma coisa, eu sei ... se tivesse uma filha como a Joana, sentiria um grande orgulho, independentemente do seu passado, presente ou futuro.
E em relação ao que ela me confidenciou, recordo-me da mensagem que o meu filho me enviou no meu aniversário: “o coração das mães é um abismo no fundo do qual se encontra sempre um perdão

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Noite de Poemas by Kikas (Repórter Estrábica)



Eram 19:30 e um trânsito caótico na capital do Império. O motorista ligou-me, muito preocupado, porque estava engarrafado, algures entre o Rato e a Gare Oriente. Entretanto, o JF chegou empolgadíssimo porque vai participar no campeonato mundial de Frisbee e então aproveitamos para discutir tácticas de defesa e ataque que são comuns a qualquer desporto com ou sem bola. Em seguida fomos apanhar a Libelita a Santa Apolónia ... esta mulher é unica e com um manancial de histórias divertidíssimas para contar.
Novidade em primeiríssima mão, a Tita tem uma gravidez psicológica, diagnosticada pela ginecologista ... perdão, pela vet, isso quer dizer que, psicologicamente falando, ela vai ser avó, lololol.
Depois, ficamos a saber que a Libelita descobiu uma nova griffe de “alta sapataria” que se chama “Osga Shoes”. Pois é, enquanto se preparava para o evento, descobriu que dentro do sapato, tinha uma estranha sensação de fofura, o que não a impediu de se maquilhar e vestir com uma simpática osga dentro do sapato. Após verificar que, ortopedicamente, o bichinho estava em perfeito estado de conservação e de ter dado uma beijoca à Tita, lá veio ter connosco, feliz e contente porque o zoo ficava muito bem entregue em ... auto gestão.

Em seguida fomos apanhar a Joana e enquanto esperávamos pela caracterização, a Libelita deu-nos uma lição de “cuisine gourmet” digna duma parceria Isabel do Carmo/Filipa Vácondeus (ou pra outro sítio qualquer). Aproveitei para dar umas dentadas num chausson de maça que tinha na mala (porque nem sequer tive tempo de jantar) e levei logo uma reprimenda de não sei quantas kilo calorias que até me ia engasgando.
Finalmente chegou a Joana, absolutamente deslumbrante, um misto de Madame Pompadour e Cinderela ... um trabalho de maquilhagem artística absolutamente fantástico (a Maria João transforma pessoas em arte viva).
Mais umas voltinhas e chegámos finalmente à Biblioteca. Beijinhos e abraços, ao Paulo, Carlos, Orca e Paulinha Raposo. Finalmente, ei-la que chega a Poesia, às vezes poderosa, interventiva, solidária, outra vezes, subtil, erótica, amante mas sempre sequiosa de quem a leie e divulgue.

Chegou o momento dos autógrafos ... muito brilho, luz e emoções. A Joana escreveu-me uma dedicatória linda e diz que sente um grande orgulho em conhecer uma mulher como eu. Pois eu tive o privilégio de conhecer uma grande escritora mas muito mais importante que isso, conheci uma grande MULHER. Parabéns Joana, que este seja o início de um ciclo em que as palavras soltas combatam as mentalidades banais e (i)morais.
Finalmente, tivemos cantigas e sinceramente ... a TunaMeliches ajavardou completamente uma noite em que era suposto dedicarmo-nos exclusivamente à cultura. E o miúdo, coitado, corou até às orelhas e até encravou o powerpoint no toshiba! Num havia nexexidade ... a Sãozinha estava caladinha ao canto da sala, completamente inibida, acho que ninguém deu por ela, nem tugiu nem mugiu, hahahahaha!
Uma coisa é certa, embora beneficiados pela excelente acústica da sala, o Paulo, o Carlos e o Orca deram show, abençoadas vozinhas e manitas ... violaram até ficarem com os deditos dormentes, caragu!!!!!!!!
Adorei, adorei, adorei e estou desejando conhecer o resto da Tuna. Até Julho e façam favor de levar o Ricardo Esteves. Ele diz que tem de tirar os dentes do siso ... tretas, quem lhe arranca os dentes sou eu se ele faltar ao Encontrão.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Pink Freud, please!


- Doutor Segismundo, o meu namorado é professor universitário e gosta muito de fazer citações filosóficas enquanto fazemos sexo
- Concordo que essa situação é desconfortável porque pode ser incompatível manter simultaneamente a actividade intelectual e a actividade hormonal (em linguagem mais abrangente, a menina fica com os neurónios fodidos, certo?).
- Nem mais, ainda ontem, estava eu prestes a …, diz-me ele ao ouvido: "As novas gerações estão dentro dos colhões e o novo Portugal, nasce dum tomatal".
- Deduzo que seja uma citação dum filósofo contemporâneo…
- Ele desculpou-se, dizendo que é uma corrente filosófica pós-socrática mas já na semana passada, fazia citações de enrabadelas legislativas e minetes eleitorais. Arranjo outro namorado ou aguardo pelo fim da campanha eleitoral?
- É sabido que todos os professores universitários fazem citações durante o sexo. Porém, pelo seu relato, adivinho que esteja perante um caso terminal, o próximo estádio trará uma impotência insofismável!
- Conheci um trolha, que me anda a assentar um soalho flutuante, lá em casa ...
- O trolha não me parece boa ideia. Por norma, é o tipo de homem que mais não conhece que a “Alegria da Caverna”. Só querem sexo, sexo, sexo, de preferência em cima do andaime, e quando a mulher dá por si está dentro de um contentor a protagonizar "A Divisão do Trabalho Sexual" (do Emílio Murcheim) com o grupo da comissão obreira local — haja betoneira que aguente! De mais a mais, não são pessoas que gostem de cimentar relações e, julgo eu, a menina quer mudar para algo sério.
- O que me apetece, sei eu ... apetece-me ser bárbara e mandá-lo já a Guimarães (que é abaixo de Braga).
- Isso seria uma opção terminal. Pode ainda tentar o seguinte: comece a recitar a tabuada toda, combatendo as estiradas filosóficas com o estigma da apócope dos números. Ou então espanque-o severamente com "O Capital" do Marx durante o acto. Ou exija ter relações apenas durante o concurso "O Preço Certo".Ou declame-lhe poesia do Ruy Belo... não lhe faltam opções, minha querida, para alterar o seu desconforto.
- Concordo Doutor mas, em todo o caso, vou também consultar a "Caras", onde há sempre tantos e tão úteis conselhos para mulheres insatisfeitas com as políticas sectoriais do pirilau.
- Minha querida, há também outra alternativa que seria manter ambos. A sua vida sexual percorre uma grande distância entre estes dois modelos antípodas, ou, no caso em questão, antíphodas... de facto, para uma mulher, ele há alturas em que apetece jantar romântico, bem amesendado com cabernet sauvignon regado por laivos de grandiloquência; mas há outras, para ser agarrada pelos cabelos, cingida sobre o capot de um velho automóvel estacionado junto ao estaleiro da obra e possuída dessa forma frugal e singela, mas muito revigorante.
In extremis, mantenha os dois e vá à procura de mais...

sábado, 14 de maio de 2011

Amistad


Se a juventude nos faz viver as coisas de um modo leve e descomprometido, à medida que a idade avança, a maturidade permite-nos olhar para a vida sob outro prisma, clarificar aquilo que queremos ou, quanto mais não seja, dá-nos a noção clara, daquilo que não queremos...
Por estranho que pareça, chego a esta provecta idade com um número restrito de amigos. Ao contrário do que pode fazer crer a banalização da palavra "amigo", hoje endeusada indiferentemente para definir toda a espécie de contacto humano, dos meros conhecidos aos magoados ex-amantes, a amizade é a mais exigente das relações humanas. Por outro lado, quando a amizade do amor se esgota, resta-nos a fidelidade dos amigos que supomos à prova de desgaste, porque não é feita do frágil tecido do desejo.
Que o comportamento natural do ser humano é estar aberto à vida e ao amor, já todos sabemos... só que entretanto, a estrutura genética faz-nos acreditar que não é assim, que devemos estar fechados e desconfiados. No entanto, uma parte da personalidade é composta por condutas aprendidas, sobre as quais é possível actuar e, por conseguinte, modificar. Mas também se temos de aprender a viver com as heranças do passado, por muito pesadas que sejam, os pesos do presente, podem sempre ser descartados ou minorados se nos esforçarmos nesse sentido.

sábado, 7 de maio de 2011

Fui Mesmo Ingénua ...

Mexem leve levemente

como quem se monta em mim

é o FMI certamente

mais nenhum me excita assim

será mesmo a ventania?

mas há pouco, há poucochinho,

o meu spread não bulia

na quieta melancolia

do meu Nib de cetim

tocas-me assim lentamente

com tão delicada leveza

mal se ouve mal se sente

lambes a minha pobreza

fui ver, a troika saía

do arroxeado prepúcio

há anos que a não via

e que saudades eu tinha!

olho-a na tua mão

pôs tudo da cor do linho

e a minha conta bancária

fica toda pegajosa

no ónus do teu cuzinho...

rijinhas, intumescidas,

as gémeas que te dão tudo

oscilam bem definidas

dizes tu: “sinto-as doridas,

está pra te vir o priudo”?

E uma infinita tristeza

daquela masturbação

entra em mim, fica em mim presa

da tortura sem tesão

domingo, 1 de maio de 2011

(In)verdades

Vivemos constantemente numa mentira, por indução. Ensinamos os nossos filhos que não se deve mentir, no entanto, assistimos todos os dias a relações sociais, afectivas, institucionais, políticas e empresariais, baseadas na mentira e na manipulação.

Diz-se o que é necessário e não o que é verdadeiro ... é que a verdade é um fardo muito pesado, por isso é que pouca gente o suporta! E mentir, exige um exercício de criatividade que só nos faz crescer.

Há dois tipos de mentira que parecem impossíveis de superar ... a do amor e da amizade.

Pois há quem tenha sobrevivido às duas, o que me leva a concluir que as (in)verdades podem ser um óptimo pretexto para a renovação. , retaliar parece-me uma péssima opção, até porque se traduz numa tarefa desgastante, exige uma enorme e cansativa capacidade ardilosa e o resultado será sempre uma decepção, principalmente para quem não aprecia desafios cujos resultados sejam apenas medíocres.

Se somos exigentes, seria de péssimo gosto, entrar em aventuras e malabarismos para os quais não temos o know how e a certificação suficientes para sair do caso com "distinção"

Por isso, o melhor mesmo é interiorizar que devemos criar o nosso bem estar e felicidade, através da realidade que nos é imposta pelos outros e então, chegamos facilmente à conclusão que não dependemos deles para sermos felizes.

A auto-estima permite-me concluir que a solidão auto-imposta tem duas vantagens inegáveis: primeiro, o direito de estar consigo mesmo; segundo, o direito de não estar com os outros, sendo que, esta última, até tem vantagens acrescidas, pelo perigo e promiscuidade que toda a convivência social traz consigo.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O Amor é lindo!

Realmente é verdade ... o amor é lindo, mas a caça ao homem, também. As mulheres balançam entre estes dois conceitos e é uma dúvida existencial tão antiga como a evolução do sexo, desde a Idade da Pedra.

Todos os homens querem desesperadamente fazer sexo com mulheres. Nasceram com uma deficiência congénita chamada “microchispe” que os obriga, desde célula embrionária, a terem erecções e irem para a cama com todas as mulheres que puderem.

Antigamente, os homem para terem sexo, ou casavam ou iam às putas porque sexo antes do casamento era uma miragem e eles, coitados, tinham de seduzir o sogro, a sogra, as tias e o gato antes de chegar ao cerne da questão. A vida seguia um trilho estreito e rectilíneo onde, eventualmente, poderiam surgir linhas convergentes mas também paralelas.

Chamemos-lhe então o padrão da sociedade primitiva.

Agora, o quadro é ligeiramente diferente, a evolução social foi-se alterando devagarinho até chegarmos ao padrão da sociedade permissiva o que significa que se pode ter cama sempre que se queira e isto aplica-se, tanto a homens como mulheres.

- Casamento?

- O que tu queres, sei eu

- União de fato?

- Nem pensar, os fatos custam os olhos da cara e eu prefiro gastar a 3ª via

- Então como é?

- Vamos simular o IRS e depois logo se vê

É óbvio que ainda se encontram homens com padrão primitivo mas esses, quem é que os quer? São feios, chatos, fazem férias no Allgarve, usam meias ridículas, cuecas de gola alta e passam o tempo todo a chamar-nos “mori”.

Todos os homens atraentes, disponíveis, inteligentes e ricos estão felizes que nem uns touros no meio de uma manada de vacas.

Eu cá sou muito exigente ... o que me motiva é caçar um gajo e mantê-lo em cativeiro até ele parar de rugir com saudades da selva, nem que tenha de o açaimar e dar-lhe umas valentes doses de sexo à bruta, para ele perder a mania.

A sociedade protectora dos animais fica fodida e lança-me um Habeas Corpus?

E eu ralada, dou o caso como devoluto e mando-os a todos pastar.

Gaja do sec XXI é assim, quando caça por alimento ou desporto e descobre que afinal, ele não corresponde aos requisitos, está sempre a tempo de o devolver à selva e recomeçar a caçada.

Mudasti? – perguntarão vocês

E eu, que adoro Ice Tea mas sou uma gaja com formação clássica, limito-me a dizer:

Mutatis mutandis e mainada!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Fábulas Cibernéticas

Conheceram-se num desses chats da moda e resolveram marcar um interface num cybercenter, acabando, como é óbvio, conectados num trapézio sem rede.

Patati para ali, patuá para acolá e à distância de uns bytes, a miúda já fazia downloads utilizando o hardware do hotmale@fdp.come.

Antes da transferência de ficheiros, nem se lembrou se tinha firewall instalada ... upssss, tarde demais para fazer escape.

Mas o hotmale@fdp.come, tal como indica o nome, é um comilão insaciável e utilizava várias ISP’s simultaneamente ... banda larga fixa, banda larga móvel, dial up quando viajava para a parvalheira, cabo, satélite intercontinental e Emea fibra.

Mais tarde descobriu que, mesmo virtualmente, qualquer um pode transformar-se num reles Trojan Horse travestido de Sapo adsl. Acabaram-se os uploads, encaixotou-o mais as agregadoras de feeds RSS e mandou-o para o byte que o pariu, tratar o vírus no Bill Gaitas Microsoft Shit Center.

Hasta la Windows Vista, baby!!!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Enquanto se guia, não se assobia


Provavelmente é uma prática menos comum do que falar ao telemóvel durante a condução mas, quem experimentou, reconhece que se trata de uma situação que envolve sérios riscos: desalinhamento crónico da direcção, traços contínuos desrespeitados, acelerações e travagens bruscas, bloqueio dos cintos de segurança e até risco do fecho central se encravar no bag do condutor

Está planeada, para breve, uma nova revisão do Código da Estrada, na qual o “bóbó viário” deverá ser penalizado com uma coima idêntica à que se pratica para condutores que utilizam o “télélé viário”.

A possibilidade de escapar à coima relativamente ao télélé, é francamente superior, uma vez que há a hipótese de se recorrer ao kit mãos livres. No que concerne à coima aplicada ao bóbó viário, as opiniões divergem uma vez que não há alternativas, sendo que o auricular só irá potenciar o nível de perigosidade.

Está agendada uma mega manifestação em Lisboa, junto à sede da DGV, exigindo a suspensão imediata desta medida, estando previstas todas as formas de luta, inclusivé, um minete de silêncio A fundamentação é subordinada ao slogan “Exigimos o bóbó viário sem multa ...ela é que quis, eu não tive culpa”.

Pois é, a culpa morre solteira mas, avaliando certos condutores bóbó-dependentes, arrisco a afirmar que o slogan mais apropriado seria “Por um bóbó, taco a taco, até voto no Cavaco”.

domingo, 16 de janeiro de 2011

FairyTales vs FuckyTales


Como todas as mães, a minha também me lia histórias de príncipes e princesas, quando o sono teimava em chegar. E finalmente, eu adormecia, embalada na sugestão que num futuro ainda longínquo, ele havia de aparecer, montado num cavalo branco ou conduzindo um Porshe Carrera Cabriolet. Todas as mães são dóceis e queridas e fazem-no com as melhores das intenções mas, passadas décadas, preferia que ela tivesse lido “Le deuxième sexe” de Simone de Beauvoir, mesmo que fosse uma tradução foleira, pois o francês que a minha mãe dominava na época, eram palavras simples, próprias das donas de casa exemplares (abat-jour, bouquet, camembert ou soutien-gorge). As mães de antigamente provavelmente não chegaram a perceber que as histórias de vida teimam em fugir ao enredo da simplificada fórmula literária “e viveram felizes para sempre”

Os príncipes contemporâneos, deviam trazer, à semelhança dos iogurtes, um carimbo na testa com o prazo de validade antes de se tornarem azedos, de forma a poderem ser devolvidos à procedência e sermos ressarciadas do prejuízo inerente a um produto adulterado e com consequências imprevisíveis a nível de saúde pública.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A magia de Escher


Em Portugal, não há política cultural ou é practicamente inexistente se exceptuarmos a Gulbenkian e Serralves. E nos próximos tempos será pior pois o objectivo do governo é alimentar a gula especulativa dos mercados e induzir cuidados paliativos em bancos com morte cerebral devidamente certificada.

Provavelmente passou despercebida a exposição A magia de M.C.Escher patente em Évora, até 23 de Janeiro, o que prova que, além de Lisboa e Porto, o resto é paisagem.

A obra de Escher é uma viagem fascinante ao mundo do paradoxo e do impossível e acenta essencialmente no purismo das formas geométricas.

O artista português Nadir Afonso tem exactamente a mesma cultura conceptual em termos artísticos, tendo afirmado ao saudoso Carlos Pinto Coelho, num programa que passou recentemente na RTP2 o seguinte “ Quando se refere que a perfeição em matéria de arte, foi pintada com a alma, não é verdade. Só atinge a perfeição, aquele que tem capacidade de descobrir, na natureza, essa lei matemática”.

Extraordinário, sem dúvida, mas não me convence! Descobrir a alma através de equações, funções e variáveis é demasiado redutor ... está visto que nunca serei capaz de atingir a perfeição nem descobrir se tenho alma, por uma razão muito simples, a matemática causa-me um tédio enorme. Mas recorro frequentemente à matemática para somar afectos sempre que necessário e subtraí-los quando se torna imperativo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Vaticano Offshore


O Vaticano vai criar uma autoridade de supervisão financeira de combate à lavagem de dinheiro o que significa que a maior offshore à escala global vai abrir falência.

Os sinais já são visíveis com o pedido de ajuda de esmola suplementar aos pobres fiéis.

Que chatice ... o Papa passa a usar sapatos Prada de contrafacção e provavelmente vai ter de hipotecar aos chineses os frescos da Capela Sistina.

Os comerciantes do Santuário de Fátima estão apreensivos e com razão ... o encerramento da “Lavandaria Cova da Iria”, vai implicar um agravamento na taxa de desemprego, numa região sem outras alternativas profissionais


sábado, 1 de janeiro de 2011

Também quero um Portugal emergente

Hoje comemora-se no Brasil, o dia da Restauração da Esperança

e o grande responsável por esta data histórica tem nome de molusco e apelido banal de Silva mas, em matéria de genealogia, está a milhas de distância do nosso Aníbal. Como herança deixa um país rejuvenescido e com fé

75 milhões de brasileiros foram incluídos na classe C

Foram criados 961 mil postos de trabalho

A taxa de desemprego, atingiu 5,7%, o menor nível da história.

A inflação caiu de 12,5% para 5,85%

O crescimento económico foi 7,5%

A pobreza caiu de 35% para 22%

A única chatice é que estamos a assistir a um êxodo de brasileiros que regressam ao seu país ... que maçada, agora que eu ia aprender a dançar o samba (lol)

Na última reunião do G20, os países ditos desenvolvidos, deviam tirar ilacções das suas palavras:
“Como os países ricos costumavam dar lições ao Brasil de como a gente deveria fazer, seria importante que, humildemente agora, eles fossem aprender o que nós fazemos para que eles possam adoptar políticas iguais”

É notável o que ele fez num cenário de crise global. O povo brasileiro deve estar-lhe grato essencialmente por duas razões: pelo sucesso de uma economia emergente e também pelo avanço considerável de uma maior justiça social “emergente”.

Aqui, na Tugolândia, a equipa dos Metralhas também apresentou serviço ... é responsável pelos "novos pobres", por um sem número de oportunistas, por uma corja de mamões e chupistas, pela geração fónix e pelo descrédito total na classe política.

Só me apetece imigrar, não sei se opte por Angola ou Brasil ...

Angola é capaz de ser interessante ... mas já aprendi tantos passos de samba que acho muito complicado acertar com os pés no kizomba e na tarrachinha!


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Balancete de 2010

Se recuarmos à nossa adolescência, recordamos emoções únicas que nos arrepiam a pele, embrulham-nos o estômago em papel vertebral, provocam-nos insónias e alteram-nos o humor.

Quando chegamos ao “turning point” da nossa vida, por muito que mantenhamos rejuvenescido o espírito, a verdade é que uma grande parte dessas emoções desaparecem, embora a persistência do nosso subconsciente teime em mantê-las no limbo do nosso quotidiano.

A vida obriga-nos a uma rotina, onde muitos detalhes acabam por ser mecanizados. Um beijo lânguido e profundo que, na adolescência era capaz de nos transportar para uma dimensão paralela, espelha no seio de uma relação a dois, uma serenidade que, muitas vezes, acabamos por confundir com marasmo, rotina ou falta de paixão.

O grande problema é que, à medida que envelhecemos, temos uma necessidade compulsiva de nos sentirmos vivos, pois o nosso ego torna-se ávido, precisando de ser saciado amiúde.

Paradoxalmente, é bom e mau, faz-nos felizes mas vazios, mantem-nos vivos e morremos aos poucos porque perdemos a capacidade de gerir emocionalmente a situação.

Na gestão de sentimentos somos péssimos profissionais e frequentemente, o balancete do deve/haver toma proporções de autêntica bancarrota.



domingo, 12 de dezembro de 2010

The Love Equation


O amor romântico é como um traje que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.

Nunca amamos ninguém. Amamos, tão somente, a ideia que fazemos de alguém. É um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.

"Livro do desassossego" - Fernando Pessoa