domingo, 23 de janeiro de 2011

Fábulas Cibernéticas

Conheceram-se num desses chats da moda e resolveram marcar um interface num cybercenter, acabando, como é óbvio, conectados num trapézio sem rede.

Patati para ali, patuá para acolá e à distância de uns bytes, a miúda já fazia downloads utilizando o hardware do hotmale@fdp.come.

Antes da transferência de ficheiros, nem se lembrou se tinha firewall instalada ... upssss, tarde demais para fazer escape.

Mas o hotmale@fdp.come, tal como indica o nome, é um comilão insaciável e utilizava várias ISP’s simultaneamente ... banda larga fixa, banda larga móvel, dial up quando viajava para a parvalheira, cabo, satélite intercontinental e Emea fibra.

Mais tarde descobriu que, mesmo virtualmente, qualquer um pode transformar-se num reles Trojan Horse travestido de Sapo adsl. Acabaram-se os uploads, encaixotou-o mais as agregadoras de feeds RSS e mandou-o para o byte que o pariu, tratar o vírus no Bill Gaitas Microsoft Shit Center.

Hasta la Windows Vista, baby!!!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Enquanto se guia, não se assobia


Provavelmente é uma prática menos comum do que falar ao telemóvel durante a condução mas, quem experimentou, reconhece que se trata de uma situação que envolve sérios riscos: desalinhamento crónico da direcção, traços contínuos desrespeitados, acelerações e travagens bruscas, bloqueio dos cintos de segurança e até risco do fecho central se encravar no bag do condutor

Está planeada, para breve, uma nova revisão do Código da Estrada, na qual o “bóbó viário” deverá ser penalizado com uma coima idêntica à que se pratica para condutores que utilizam o “télélé viário”.

A possibilidade de escapar à coima relativamente ao télélé, é francamente superior, uma vez que há a hipótese de se recorrer ao kit mãos livres. No que concerne à coima aplicada ao bóbó viário, as opiniões divergem uma vez que não há alternativas, sendo que o auricular só irá potenciar o nível de perigosidade.

Está agendada uma mega manifestação em Lisboa, junto à sede da DGV, exigindo a suspensão imediata desta medida, estando previstas todas as formas de luta, inclusivé, um minete de silêncio A fundamentação é subordinada ao slogan “Exigimos o bóbó viário sem multa ...ela é que quis, eu não tive culpa”.

Pois é, a culpa morre solteira mas, avaliando certos condutores bóbó-dependentes, arrisco a afirmar que o slogan mais apropriado seria “Por um bóbó, taco a taco, até voto no Cavaco”.

domingo, 16 de janeiro de 2011

FairyTales vs FuckyTales


Como todas as mães, a minha também me lia histórias de príncipes e princesas, quando o sono teimava em chegar. E finalmente, eu adormecia, embalada na sugestão que num futuro ainda longínquo, ele havia de aparecer, montado num cavalo branco ou conduzindo um Porshe Carrera Cabriolet. Todas as mães são dóceis e queridas e fazem-no com as melhores das intenções mas, passadas décadas, preferia que ela tivesse lido “Le deuxième sexe” de Simone de Beauvoir, mesmo que fosse uma tradução foleira, pois o francês que a minha mãe dominava na época, eram palavras simples, próprias das donas de casa exemplares (abat-jour, bouquet, camembert ou soutien-gorge). As mães de antigamente provavelmente não chegaram a perceber que as histórias de vida teimam em fugir ao enredo da simplificada fórmula literária “e viveram felizes para sempre”

Os príncipes contemporâneos, deviam trazer, à semelhança dos iogurtes, um carimbo na testa com o prazo de validade antes de se tornarem azedos, de forma a poderem ser devolvidos à procedência e sermos ressarciadas do prejuízo inerente a um produto adulterado e com consequências imprevisíveis a nível de saúde pública.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A magia de Escher


Em Portugal, não há política cultural ou é practicamente inexistente se exceptuarmos a Gulbenkian e Serralves. E nos próximos tempos será pior pois o objectivo do governo é alimentar a gula especulativa dos mercados e induzir cuidados paliativos em bancos com morte cerebral devidamente certificada.

Provavelmente passou despercebida a exposição A magia de M.C.Escher patente em Évora, até 23 de Janeiro, o que prova que, além de Lisboa e Porto, o resto é paisagem.

A obra de Escher é uma viagem fascinante ao mundo do paradoxo e do impossível e acenta essencialmente no purismo das formas geométricas.

O artista português Nadir Afonso tem exactamente a mesma cultura conceptual em termos artísticos, tendo afirmado ao saudoso Carlos Pinto Coelho, num programa que passou recentemente na RTP2 o seguinte “ Quando se refere que a perfeição em matéria de arte, foi pintada com a alma, não é verdade. Só atinge a perfeição, aquele que tem capacidade de descobrir, na natureza, essa lei matemática”.

Extraordinário, sem dúvida, mas não me convence! Descobrir a alma através de equações, funções e variáveis é demasiado redutor ... está visto que nunca serei capaz de atingir a perfeição nem descobrir se tenho alma, por uma razão muito simples, a matemática causa-me um tédio enorme. Mas recorro frequentemente à matemática para somar afectos sempre que necessário e subtraí-los quando se torna imperativo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Vaticano Offshore


O Vaticano vai criar uma autoridade de supervisão financeira de combate à lavagem de dinheiro o que significa que a maior offshore à escala global vai abrir falência.

Os sinais já são visíveis com o pedido de ajuda de esmola suplementar aos pobres fiéis.

Que chatice ... o Papa passa a usar sapatos Prada de contrafacção e provavelmente vai ter de hipotecar aos chineses os frescos da Capela Sistina.

Os comerciantes do Santuário de Fátima estão apreensivos e com razão ... o encerramento da “Lavandaria Cova da Iria”, vai implicar um agravamento na taxa de desemprego, numa região sem outras alternativas profissionais


sábado, 1 de janeiro de 2011

Também quero um Portugal emergente

Hoje comemora-se no Brasil, o dia da Restauração da Esperança

e o grande responsável por esta data histórica tem nome de molusco e apelido banal de Silva mas, em matéria de genealogia, está a milhas de distância do nosso Aníbal. Como herança deixa um país rejuvenescido e com fé

75 milhões de brasileiros foram incluídos na classe C

Foram criados 961 mil postos de trabalho

A taxa de desemprego, atingiu 5,7%, o menor nível da história.

A inflação caiu de 12,5% para 5,85%

O crescimento económico foi 7,5%

A pobreza caiu de 35% para 22%

A única chatice é que estamos a assistir a um êxodo de brasileiros que regressam ao seu país ... que maçada, agora que eu ia aprender a dançar o samba (lol)

Na última reunião do G20, os países ditos desenvolvidos, deviam tirar ilacções das suas palavras:
“Como os países ricos costumavam dar lições ao Brasil de como a gente deveria fazer, seria importante que, humildemente agora, eles fossem aprender o que nós fazemos para que eles possam adoptar políticas iguais”

É notável o que ele fez num cenário de crise global. O povo brasileiro deve estar-lhe grato essencialmente por duas razões: pelo sucesso de uma economia emergente e também pelo avanço considerável de uma maior justiça social “emergente”.

Aqui, na Tugolândia, a equipa dos Metralhas também apresentou serviço ... é responsável pelos "novos pobres", por um sem número de oportunistas, por uma corja de mamões e chupistas, pela geração fónix e pelo descrédito total na classe política.

Só me apetece imigrar, não sei se opte por Angola ou Brasil ...

Angola é capaz de ser interessante ... mas já aprendi tantos passos de samba que acho muito complicado acertar com os pés no kizomba e na tarrachinha!


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Balancete de 2010

Se recuarmos à nossa adolescência, recordamos emoções únicas que nos arrepiam a pele, embrulham-nos o estômago em papel vertebral, provocam-nos insónias e alteram-nos o humor.

Quando chegamos ao “turning point” da nossa vida, por muito que mantenhamos rejuvenescido o espírito, a verdade é que uma grande parte dessas emoções desaparecem, embora a persistência do nosso subconsciente teime em mantê-las no limbo do nosso quotidiano.

A vida obriga-nos a uma rotina, onde muitos detalhes acabam por ser mecanizados. Um beijo lânguido e profundo que, na adolescência era capaz de nos transportar para uma dimensão paralela, espelha no seio de uma relação a dois, uma serenidade que, muitas vezes, acabamos por confundir com marasmo, rotina ou falta de paixão.

O grande problema é que, à medida que envelhecemos, temos uma necessidade compulsiva de nos sentirmos vivos, pois o nosso ego torna-se ávido, precisando de ser saciado amiúde.

Paradoxalmente, é bom e mau, faz-nos felizes mas vazios, mantem-nos vivos e morremos aos poucos porque perdemos a capacidade de gerir emocionalmente a situação.

Na gestão de sentimentos somos péssimos profissionais e frequentemente, o balancete do deve/haver toma proporções de autêntica bancarrota.



domingo, 12 de dezembro de 2010

The Love Equation


O amor romântico é como um traje que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.

Nunca amamos ninguém. Amamos, tão somente, a ideia que fazemos de alguém. É um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.

"Livro do desassossego" - Fernando Pessoa


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Diário de necrologia


25 de Novembro de 2009 garantiu que não aumentaria impostos.

8 de Março de 2010 vangloriou-se: "O mais fácil seria aumentar impostos"

12 de Maio de 2010 estava satisfeito com crescimento no primeiro trimestre.

6 de Junho de 2010 garantiu que o mais recente aumento de impostos era suficiente.

2 de Julho de 2010 dizia que o crescimento do desemprego vai continuar a abrandar .

13 de Agosto de 2010 garantia que o crescimento do PIB no segundo trimestre consiste num "sinal de grande encorajamento e confiança para a recuperação da economia portuguesa".

24 de Agostro de 2010 afirmava que o crescimento da economia portuguesa, entre Janeiro e Junho, foi o dobro do previsto pelo Governo.

29 de Setembro de 2010 anuncia o segundo aumento de impostos do ano.



É o mais hábil desconversador que existe

Enfrenta a realidade de forma enviesada, pega numa ponta e começa a desbobinar. Especialista em lógica atabalhuada, vende ilusões descartáveis e fode-nos o quotidiano ... e não se pode exterminá-lo?



segunda-feira, 13 de setembro de 2010

7 Maravilhas - Portinho da Arrábida


Sebastião da Gama amava apaixonadamente a beleza da Arrábida. Descobrira-lhe todos os segredos, sabia qual era a melhor hora para estar na Mata do Solitário, para ver o mar em Alportuche, para subir ao Monte Abraão, para se isolar na Pedra da Anicha. Conhecia os tons do mar conforme o momento e o ponto de observação; sabia os sons da mata, de dia, de noite, conforme a direcção do vento. Quanto à solidão da Serra, durante muito tempo foi-lhe indispensável para a criação dos seus poemas. Creio que não há nenhuma poesia de Serra-Mãe que não fosse composta no Portinho ou na Serra.


Lindley Cintra, in Prefácio de "Serra-Mãe", de Sebastião da Gama


domingo, 12 de setembro de 2010

Checkmate


Se vida é um jogo, uma batalha, uma estratégia, uma competição constante que nos lança desafios onde se revela a nossa capacidade de perder ou ganhar, então o xadrez é uma metáfora para os vários intervenientes desta batalha, os seus métodos de combate e objectivos

Entre o Rei e a Rainha há três níveis de flanqueadores, o Bispo, o Cavalo e a Torre, cada qual com seu próprio estilo de movimento e conquista

O peão suporta o impacto da batalha e luta com recursos precários ... sem estratégia e com um avanço lento, próprio de quem tem horizontes limitados, é facilmente derrubado. Porém quando a firme determinação o faz avançar até ao seu objectivo, ele revela a Rainha que há em si e pode ser decisivo na conquista da vitória.


A rainha como peça fundamental, move-se astuciosamente com movimentos lânguidos, ora para a frente, ora para trás, até em situações oblíquas, o movimento é seguro e calculista.

O peão, por sua vez, conforma-se com os movimentos das outras peças, aceita ser pisado pelos cavalos, comido pela torres, sodomizado pelos bispos e até mesmo deixar-se morrer para salvar a rainha.

No entanto, esta figura, aparentemente insignificante, tem um papel fundamental no desenrolar de todo o jogo,.pois é a única peça que, caso consiga chegar ao “outro lado”, tem o poder de recuperar tudo o que foi perdido.


Assim, e perante a figura alegórica e patética do rei, o duelo entre as duas rainhas é, sem dúvida, o momento afrodisíaco do jogo



sábado, 11 de setembro de 2010

"Sharia, a invasão" - num cinema perto de si

A forma de pressão utilizada pelos muçulmanos para aterrorizar e, subconscientemente exercer um certo domínio sobre o ocidente, é o terrorismo, embora exista uma forma mais subtil e dissimulada e não menos ameaçadora - a táctica demográfica.
Na Europa já são 50 milhões e num futuro próximo receio que o Velho Continente, doente, gasto e cansado não consiga travar a promoção descarada da Sharia, cuja cultura fundamentalista e paleolítica acabará por se impor. Não têm nenhum respeito pelas normas e costumes dos países que os acolhem e ameaçam aplicar as leis do Corão ... enquanto os nossos miúdos andam entretidos com o Magalhães e o Facebook, a pedagogia muçulmana assenta essencialmente no método caseiro, mas eficaz.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Looney Tunes

José Sócrates não gosta que lhe torçam o braço e pelos vistos não é o único

Dominique Villepin também não gostou quando a italiana Enel lançou uma Opa sobre a francesa Suez. Luís Zapatero até teve de fazer fisioterapia quando a alemã E-On tentou lançar as garras à Endesa e até o inventor da terceira via (via verde para a libertinagem liberal) ficou cheio de nódoas negras quando a russa Gazprom assediou a Centrica.

Estes senhores, provenientes de áreas políticas tão diversificadas de direita, socialista ou liberal não hesitaram em arruinar o negócio dos seus parceiros europeus.

E o que fez a União Europeia? NADA.

Aqui, o 1º Ministro defende a empresa portuguesa com maior penetração internacional e então, já está a interferir no mercado livre de capitais que alimenta a gula especulativa.

Realmente somos um país muito pequenino e sem qualquer relevância no galinheiro europeu.

E o Coelho Sapiens aplaude com esta tirada de mestre “vamos acabar com o Estado Providência”, ou seja deixemos a regulação para os mercados e viva a anarquia.

O interesse nacional na utilização da golden share é semelhante ao interesse nacional quando Manuela Ferreira Leite obrigou a PT a comprar a rede fixa (que era do Estado) e assim realizar uma operação cosmética por forma a antecipar receitas extraordinárias que pudessem equilibrar o orçamento. Claro, no governo PSD, mesmo sem crise financeira internacional, as contas públicas também sofriam de síndrome vertiginoso.

E a visita de Aznar a Portugal dias antes da Telefónica aumentar o valor da oferta pela Vivo, não foi uma visita turística. É que Aznar, enquanto 1º ministro, nomeou Cesar Alierta em 2006 como presidente da Telefónica e, esta visita relâmpago para conversar com Cavaco Silva tem contornos tão evidentes como promíscuos. Aliás, política, jobs e promiscuidade andam sempre de braço dado. Por isso, o Coelho Sapiens anda tão excitado com esta marmelada toda, é que a alternância do poder já tarda … o PSD anda farto de manual jobs, quer um blow job à maneira.


sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Nova Economia





Há dois séculos atrás, um escravo custava nos Estados Unidos, cerca de 30 000 euros.

Actualmente, um trabalhador sem documentação nem personalidade jurídica, custa 100 euros no mercado internacional.

Em Portugal, um trabalhador-escravo, custa 500 euros por mês e, mesmo assim, vivemos num défice de competitividade que impede a tão desejada dinamização económica.

Na China, expoente máximo da economia global, um escravo custa pouco mais de uma tijela de arroz, com a agravante de poder levar os filhos para o emprego.

Paralelamente às economias emergentes, emerge também uma nova Idade Média, uma era de desigualdades, uma sociedade sem dignidade e sem esperança … um mundo en que as pessoas parecem mais apavoradas com a sobrevivência do que com a morte.



sexta-feira, 14 de maio de 2010

Hoje não há missa


O Papa depois da visita ao Porto....só porque ia de vermelho!!!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

We are Family ... I got all my sisters with me!


A auto-estima dos portugueses é como o pelo de um gato: se lhe passam a mão num sentido, toda ela se compraz no afago. Se lha passam em sentido contrário, toda ela se arrepela. Dificilmente encontramos um meio-termo, porque a imagem que os outros fazem de nós é-nos essencial. Razões? Entre outras, o facto de sermos talvez o país mais periférico da Europa, o mais distante e isolado do coração do continente, onde tudo – a História - se passou e passa. Isto, se nos poupou a algumas das maiores violências dessa História, tornou-nos também num povo esquecido, e que se ressente disso a nível do inconsciente colectivo.

O nosso peso nos acontecimentos europeus sempre foi reduzido ou nulo – tirando as consequências da expansão marítima, imensas mas bem caracterizadas e localizados no tempo. As nossas contribuições no campo das ciências, da filosofia, das artes não vão além (quando vão) de notas de rodapé na história do espírito humano. Em alguns casos, nem sequer por demérito próprio, mas porque o afastamento do centro europeu não permitiu o reconhecimento (quero com isto dizer que temos um ou outro pintor, um ou outro músico, um ou outro sábio, e alguns escritores e poetas que talvez pudessem figurar com outro relevo nos compêndios se fossem italianos, flamengos, alemães, franceses ou mesmo espanhóis).

É contra este “esquecimento”, quase visto como uma fatalidade que a consciência portuguesa, melhor seria dizer, o inconsciente português – reage, por vezes de forma tão sensível e até provinciana. Falam tão pouco de nós, que quando falam, mesmo que seja para dizer mal, prestamos toda a atenção. Por isso vivemos tão intensamente os êxitos e os fracassos futebolísticos – porque eles são uma rara oportunidade de entrarmos em confronto directo com o estrangeiro sob o olhar de uma plateia internacional.

Hoje o tema de discussão centrou-se no lote de convocados para o Mundial 2010 e a partida de férias antecipada de Quim e João Moutinho. A visita de Sua Santidade (nome artístico, Bento XVI), também teve a relevância devida, pois além de dinamizar a nossa moribunda economia, tem subjacente a mensagem de paz, união e benzeduras, como forma de branquear acontecimentos que pouco ou nada têm a ver com os fundamentos cristãos.
O aumento do IVA e o assalto ao 13º mês, deverão ser encarados como dádivas celestiais que vão permitir que Portugal, a curto prazo, faça um exorcismo colectivo (mas só à conta dos papalvos do costume), que lhe permita erguer-se momentaneamente para imediatamente cair no fosso onde agoniza uma Europa moribunda, velha e retrógrada.
Acabou a pimenta da Índia, depois o ouro do Brasil, depois as coisas de África e os povos que roubamos outrora, chamam-se agora emergentes.
Resta-nos o Fado e, já agora, a resignação …

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Duche comunitário em prol do ambiente



A ecologia é uma marca que vende e as multinacionais não brincam em serviço.


A Axe lançou uma campanha publicitária mesmo a tempo da comemoração do 40º aniversário do dia da Terra, mas a mensagem subliminar não é a preservação da água, é sim, vender mais uma vez, a fantasia masculina mais trauliteira que existe.